As mães sempre ocuparam um lugar de honra no projeto de Deus. Elas são muitas vezes heroínas anônimas que, nos bastidores, forjam o caráter dos filhos, nutrindo-os com vida, dando-lhes as mais importantes lições da abnegação, do sacrifício e da honra.

Peter Marshall, capelão do Senado americano, pregou um sermão clássico que tornou-se um livro apreciado no mundo todo: “A guarda das fontes”. Elas são aquelas que, no anonimato, estão sempre limpando as fontes para que elas não fiquem poluídas. Elas são aquelas mestras do bem, aquelas que carregam os filhos no ventre, nos braços, no coração. Que amam os filhos incondicionalmente, que lutam por eles sem precedentes, que se sacrificam pelos filhos.

Posso até afirmar que, quando as mães se colocam de joelhos pelos filhos, Deus coloca os filhos de pé. Ninguém certamente influencia mais um filho do que uma mãe.

É claro que nós não estamos afirmando aqui que as mães são perfeitas. Nem estamos afirmando que não haja mães que perderam por completo sua vocação de maternidade, usando este sacrossanto ofício e função, não para o bem, mas para o mal. Não trataremos dessas exceções. Honraremos a Deus pelas mães que são exemplo para os seus filhos.

Evoco aqui o exemplo de Joquebede. Joquebede foi mãe de três filhos que foram líderes na nação de Israel. Miriã, a primogênita, Arão, o filho do meio, Moisés, o filho caçula.

O Egito estava vivendo tempos de terríveis opressões contra o povo de Israel. Os israelitas trabalhavam debaixo da chibata, sob trabalhos forçados e, mesmo assim, se multiplicavam. Então, Faraó dá uma ordem para que as parteiras hebréias (que lideravam as parteiras por toda a nação), matassem as crianças do sexo masculino. E elas, por temor a Deus, desobedecem ao Faraó, no que recebem amplos elogios de Deus ao deixarem que as crianças masculinas sobrevivam.

Faraó, sentindo-se enganado por elas, ordena que agora os egípcios sejam os fiscais, e toda criança do sexo masculino que nascia aos hebreus deveria ser jogada ao Nilo para ser comida dos crocodilos.

Nessa conjuntura, Anrão e Joquebede não estacionam seus sonhos. Eles têm um filho. Nasce o bebê. Era um bebê muito bonito. Os pais não entregaram o seu filho aos assassinos para transformar o Nilo na sepultura do filho. Ao contrário, protegeram-no.

Quando não podiam mais escondê-lo dos olhares fiscalizadores dos egípcios, Joquebede fez uma pequena arca, calafetou-a, colocou-a nas águas do Nilo (que deveria ser a sepultura do seu filho), colocou Miriã, irmã mais velha, para cuidar deste bebê, e esta arca, contendo Moisés, vai deslizando água abaixo, no meio do carriçal e chega ao local onde a filha de Faraó se banhava.

Ela abre a arca. Há um bebê chorando. Ela descobre que é um bebê hebreu. Miriã se aproxima da filha do Faraó e se oferece para encontrar uma mãe de leite para cuidar do bebê. Obviamente, no projeto de Deus, a filha de Faraó aceita a proposta, e Miriam vai encontrar a sua própria mãe, que agora recebe régio salário para cuidar do próprio filho e depois entregá-lo para ser filho da filha de Faraó.

O gesto abnegado de Joquebede ensina-nos que as mães precisam ousar crer na providência de Deus para livrar seus filhos da morte, e lutar por isso com todas as forças da sua vida.

Evoco aqui o exemplo de Ana, mulher de Elcana, que enfrentava o problema da falta de fertilidade. Esta mulher ansiava por ser mãe, não apenas para ter o orgulho de ter um bebê nos braços mas, sobretudo, para consagrá-lo a Deus para cumprir os desígnios de Deus.

E então, diz a Bíblia, que ela, orando e chorando diante de Deus, faz um voto ao Senhor: “Ó meu Deus, se tu me deres um filho varão, consagrá-lo-ei a ti por todos os dias da sua vida como um nazireu. Sobre a sua cabeça não passará navalha”. E a Bíblia diz que Deus ouviu a oração de Ana, que Deus se lembrou dela, que ela concebeu e deu à luz um filho a quem pôs o nome de Samuel. E, no tempo oportuno, ela cumpre o voto e devolve Samuel para Deus aos cuidados do sacerdote Eli. E Samuel vai se tornar o maior juiz, o maior sacerdote, o maior profeta da sua geração.

Precisamos de mães que ousem consagrar seus filhos a Deus para que seus filhos cumpram não sonhos pessoais, mas os planos benditos e eternos do próprio Deus.

Trago à sua memória também o exemplo da mãe de Timóteo, Eunice. Eunice é a segunda geração de cristãos. A sua mãe, Loide, já era uma mulher de Deus. Ela foi criada bebendo o leite da piedade desde a sua infância. Ela se casa com um grego e nasce Timóteo. A Bíblia diz que a mesma fé pura e incontaminada que habitou no coração de Loide e de Eunice, agora é passada através do bastão da fé para Timóteo, a terceira geração.

A Bíblia diz que Timóteo aprendeu as Sagradas Letras desde a sua infância. A palavra “infância” no texto grego é brephos (βρέφος), que descreve desde a vida intrauterina até a primeira infância. Ou seja, Eunice é uma mãe que já conversava sobre Deus com o seu filho quando ele estava no ventre. Eunice era uma mãe que já orava pelo seu filho antes dele nascer. Quando Timóteo nasce, ele é instruído nas Sagradas Letras que o tornariam sábio para a salvação desde a sua infância.

Nós precisamos de mães que ousem ensinar a Bíblia para os seus filhos. Mães que não deixam seus filhos distraídos com brinquedos, com jogos às vezes cativantes, mas que não têm um ensinamento adequado — ao contrário, às vezes, até perversos para os filhos. Não. Eunice teve o cuidado de entregar ao filho o legado bendito da palavra de Deus; isso desde a sua mais tenra infância.

O nosso desafio a você, mãe, que tem o privilégio de ter seus filhos aos seus cuidados, nos seus braços, no seu colo, na fase mais importante da vida, é que você passe esse bastão da fé que está no seu coração para os seus filhos.

A Bíblia nos ensina em Deuteronômio 6.5: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de toda a tua força, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento. Estas palavras estarão no teu coração e tu as inculcarás aos teus filhos, falando pelo caminho, ao deitar, ao levantar, na dinâmica da vida”.

Ainda diz a Escritura: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e quando for velha, não se desviará dele” (Provérbios 22.6).

A minha ardente oração é que você, mãe, seja uma mãe que conheçe a Deus, que anda com Deus, que transmite aos seus filhos a mais importante mensagem do mundo: a mensagem do evangelho de Cristo Jesus, para que seus filhos não apenas conquistem os lauréis deste mundo e abracem os troféus mais cobiçados desta terra, mas que os seus filhos sejam salvos pela graça, sejam cidadãos dos céus, membros da família de Deus.

Rev. Hernandes Dias Lopes

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