“E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos,” (Lucas 15:20-23)

A parábola do filho pródigo é, certamente, a parábola mais conhecida de toda a Bíblia; uma pérola de grande valor da literatura cristã; texto inspirado pelo Espírito de Deus. E esse texto retrata o amor de Deus por você e por mim.

O pródigo sou eu; o pródigo é você; o pródigo somos nós. Esse filho — o filho mais novo — quer antecipadamente a sua herança porque quer curtir a vida, sentir as pulsações e as emoções que o mundo possa lhe oferecer. E então ele pede ao seu pai a sua herança antecipada e vai para um país distante para curtir a vida. Festas, diversões, banquetes, certamente bebidas…

Parecia que tudo ia bem, até o dia que chegou a crise: o dinheiro acabou, os amigos foram embora, ele começou a passar fome. Encontrou um emprego — que, para ele e para a cultura dele, era até vil — para cuidar de porcos. E ali mesmo, naquela situação, desejava comer as alfarrobas dos porcos, e nem isso ele tinha.

Até o dia que ele caiu em si e disse: “Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e lhe direi: “Pai, pequei contra ti, já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus trabalhadores”.”

Quando ele está pensando isso, trabalhando no seu coração o discurso que faria, quando ele caminha na direção do pai, o pai o avista de longe, corre, abraça-o, beija-o e manda trazer depressa a sandália para os pés, roupa nova, anel no dedo e deu uma ordem: “Matem o bezerro cevado…” — era uma ocasião especial — “Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava perdido e foi encontrado, estava morto e reviveu.”

Esta parábola trata de quatro fases da vida do pródigo.

Na primeira fase, ele era feliz inconscientemente na casa do pai. Ele tinha tudo na casa do pai: ele tinha o pai, ele tinha o irmão, ele tinha festa, ele tinha banquete, ele tinha pão com fartura. Mas, de repente, uma insatisfação crônica tomou conta do seu coração.

Que grande perigo você e eu corremos de, tendo as bençãos de Deus, o cuidado de Deus, o amor de Deus, a provisão de Deus, no nosso coração surgir um sentimento de ingratidão, de insatisfação, e nós dizemos para nós mesmos: “eu mereço mais, eu tenho potencial para mais, eu quero mais, porque tudo isso não me satisfaz”. Como Adão que, tendo o Éden, o paraíso, estava insatisfeito. Cuidado com essa fase da vida.

A segunda fase é quando ele estava lá no país distante, celebrando a vida, curtindo todas, jogando para dentro dele todos os baldes de prazer, desfrutando de todas as iguarias do banquete do mundo. E, nessa segunda fase, ele era infeliz inconscientemente. Sabe por quê? Tudo que o mundo pode lhe oferecer: os prazeres, as aventuras, as curtições, parece que vão preencher o vazio do seu coração, mas não preencherão.

O pecado, em si, pode ser apetitoso ao paladar, mas é amargo no estômago. O pecado é um embuste: promete para você alegria e paga com desgosto; promete para você liberdade e escraviza; promete vida e mata.

Às vezes as pessoas acham que a felicidade está no fundo de uma garrafa, e fica dependente do álcool. Às vezes a pessoa pensa que a verdadeira aventura está num baseado, ou em cheirar um papelote de cocaína, e fica escravo. Talvez a pessoa pense que a felicidade está na cama das aventuras do adultério, da fornicação e, quando entra por esta rota do prazer, começa a perceber que ali tem uma escravidão que traz vergonha, culpa e dor.

As festas do mundo parecem ter muito brilho e muito glamour, mas lá no fundo, há uma insatisfação crônica. Sabe por quê? Porque Deus colocou a eternidade no seu coração e tudo aquilo que é terreno e temporal não preenche o vazio do seu coração. Só Deus satisfaz você.

A terceira fase é quando ele estava lá, cuidando dos porcos. E a terceira fase é essa: ele era infeliz conscientemente. A ficha caiu. A prestação chegou. Ele desperdiçou sua vida, desperdiçou seu dinheiro, desperdiçou suas oportunidades e ele colheu decepção.

Os amigos de bar, na hora que a coisa pega, te abandonam. As rodas dos prazeres ficam vazias. Aquilo que parecia ser o sentido da vida e a busca da sua alma começa a murchar e minguar e, de repente, você se sente só, com o estômago fuzilado pela fome. Abandonado, sozinho, no vale da sua dor.

Agora, esse moço reconhece que está passando fome, que ele não tem nada, que não lhe restou nada, que ele está abandonado à sua própria sorte. Este é o vale de alguém que se embriaga, que se droga, que se prostitui, que se rende às ideologias mais perniciosas, que se capitula às filosofias perniciosas, que se entrega nos braços das aventuras mais glamorosas mas, ao fim, existe um espectro de morte, de dor, de pesar, de culpa, de vergonha, de opróbrio.

O pecado não compensa. Ele vai levar você mais longe que você gostaria de ir. Ele vai reter você mais tempo que você gostaria de ficar. Ele vai custar um preço a você mais caro do que você gostaria de pagar.

Mas há uma quarta fase na vida do pródigo, e essa quarta fase é: agora ele é feliz conscientemente de volta à casa do pai. Quando ele parou para pensar na casa do pai, ele disse: “na casa do meu pai tem pão com fartura.” O que ele tinha de memória da casa do pai era uma memória positiva. Tinha banquete, tinha comunhão, tinha provisão.

Mas ele não sabe se o pai vai recebê-lo. Ele ensaia uma confissão. Ele não quer nem o status de filho, ele se contenta em ser um empregado. Mas, quando o pai o avista de longe, corre na sua direção, o abraça, o beija, traz o status de filho: sandália, anel e roupa nova, manda fazer uma festa e celebrar, porque o filho estava perdido e foi achado, estava morto e reviveu.

O pródigo sou eu, o pródigo é você, o pródigo somos nós. Quantas vezes nos perdemos nos labirintos da vida! Quantas vezes fomos atraídos pelo glamour do mundo e achamos que lá estava a pulsação da vida e quebramos a cara, nos decepcionamos, nos machucamos, nos ferimos! Quantas vezes, hoje, nos sentimos num chiqueiro, cheios de lama!

Mas eu quero encorajar você hoje a não ficar na lama, a se levantar e a se voltar para Deus, porque ele é rico em perdoar, ele tem prazer na misericórdia, ele vai abraçar você, ele vai beijar você, ele vai receber você, ele vai festejar a sua volta.

Na casa do pai tem pão com fartura. Na casa do pai tem amor. Na casa do pai tem perdão. Na casa do pai tem aceitação. Na casa do pai tem salvação.

Talvez, você que está me acompanhando, já passou por uma igreja. Talvez você foi criado no evangelho. Talvez você foi instruído desde a sua infância. Mas, num dado momento da sua vida, alguma coisa aconteceu. Você se esfriou. Você jogou fora o legado dos pais. Você foi atraído pelo glamour do mundo, a fascinação da riqueza, os prazeres da vida. Talvez você foi induzido por patotas de amigos e, quem sabe, hoje você está longe, até com saudades da casa do pai, mas não sabe como voltar.

Eu quero te encorajar a voltar hoje. Agora. Há perdão para você; há graça para você; há restauração para você; há Recomeço para você; há uma vida nova esperando você. Jesus pode tirar os trapos. Jesus pode limpar a sujeira. O sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado e, se você se voltar para Deus agora, ele se volta para você com graça e com misericórdia.

Hoje pode ser o dia da sua volta, o dia mais feliz da sua vida, o dia da sua Reconciliação com Deus.

Rev. Hernandes Dias Lopes

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