“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito. Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja;” (Efésios 5:25-29 | ARA)

Existe um padrão para o papel do marido no casamento e na família?

Sabemos que cada cultura adota estratégias diferentes, papéis diferentes, funções diferentes. Mas, existe um padrão que pode e deve ser seguido? A resposta é um sonoro “sim”, porque foi Deus quem instituiu o casamento. E, ao instituir o casamento, Deus estabeleceu preceitos, princípios que servem para qualquer tempo e para qualquer cultura. E, Deus não apenas estabeleceu esses princípios, mas deixou-os registrados em sua palavra para servirem de baliza, de norte, de diretriz para todos os homens — todos os maridos — em todos os tempos, em todas as culturas.

Na carta aos Efésios, depois de falar da função e do papel da mulher no lar, no casamento, agora Paulo vai tratar do papel do marido. Porque, aqueles que acham que falar da submissão da mulher ao seu marido é algo desconcertante pra nossa geração, precisam entender que o que Deus estabelece para o marido em relação à sua mulher, é algo muito maior. O marido é conclamado a amar a sua mulher como Cristo amou a sua igreja e deu a sua vida por ela.

O amor que o marido devota a sua mulher precisa ser olhado em alguns aspectos:

Primeiro, o aspecto emocional, sentimental. O marido precisa ser carinhoso, romântico, cavalheiro, educado, polido. Ele precisa tratar a sua mulher como o vaso mais frágil que requer dele atenção e cuidado. Ele precisa ser gentil nas palavras. Ele precisa ser respeitoso nos gestos. Ele precisa ser amável no trato. Em outras palavras: não tem nada que machuca mais uma mulher do que um homem rude na comunicação, incomunicável, duro no trato. Portanto, o amor precisa ser, nesse aspecto, romântico, amável, carinhoso, afetuoso.

Segundo lugar, o amor do marido pela sua mulher precisa ser um amor sacrificial. O homem não pode usar a sua mulher como escudo para protegê-lo. Não. Ele precisa proteger a sua mulher. Ele precisa ser um marido que ama não apenas de palavras, mas ele precisa amá-la e protegê-la para que ela não enfrente os esbarros que ele vai enfrentar por amá-la. Ora, Cristo amou a Igreja — não com palavras, mas ele amou a igreja ao dar sua vida por ela, ao morrer por ela, ao se sacrificar por ela.

Tem muita gente hoje que diz que ama, mas possui um amor egoísta, ciumento e que, uma vez que não pode ter o que gostaria, essa pessoa prefere então que ninguém mais tenha, chegando às raias do assassinat brutal, cruel, desumano. Isso não é amor. O amor não mata o outro; o amor morre pelo outro. O amor não expõe o outro a riscos; o amor protege o outro. Esse é o amor de Cristo, e esse é o amor com que o marido deve amar a sua mulher.

Portanto, quando se questiona o fato do papel da mulher ser algo desconcertante para a geração pós-moderna, precisamos afirmar que o que Deus requer do homem, do marido, é algo muito maior. Porque, se o padrão da mulher é a Igreja, o padrão do marido é Cristo neste amor sacrificial.

Então, é hora de perguntar a nós homens, a nós maridos: temos amado assim? Temos vivido de tal maneira que o nosso cônjuge se sinta seguro, protegido? Temos nós demonstrado dentro de casa o caráter de Cristo na convivência com o nosso cônjuge? Temos olhado para Jesus como o supremo modelo deste amor sacrificial que se entrega, que se doa, que vai às últimas consequências para demonstrar este amor, não apenas com palavras, mas com atitude?

Se o marido tem o compromisso de amar com amor romântico e com amor sacrificial, a Bíblia diz também que o marido precisa atender as necessidades — inclusive físicas — da sua mulher.

Quando Deus instituiu o casamento, as Escrituras registram: “Por isso deixe o homem seu pai e sua mãe” (Gn 2:24). Deus estabelece aqui a liderança do homem. O homem precisa ser o responsável; o ônus da liderança do lar, do cuidado da sua família, do cuidado da sua mulher passa pelo homem.

“Por isso deixe o homem seu pai e sua mãe, e se una a sua mulher” (Gn 2:24). Esta palavra “unir”, na língua hebraica, é muito curiosa e interessante. A ideia é como se você colasse duas folhas de papel. Ao fazer isso, não dá mais para descolar. Se você tentar descolar, você vai rasgar. Ou seja: o casamento estabelecido por Deus sendo heterossexual (porque Deus diz: “deixe o homem, seu pai e sua mãe e se una à sua mulher.”) e monogâmico (o texto diz “se una à sua mulher”, não “às suas mulheres”), esse relacionamento é também monossomático. O que significa isso? Significa que agora, os dois são uma só carne.

Isso tem a ver com a relação íntima, com a relação sexual. Ou seja: a relação sexual antes do casamento, é chamada pela Bíblia de fornicação. E quem vive nessa prática, está debaixo da reprovação e da ira divina (1Tessalonicenses 4). Portanto, o sexo antes do casamento não faz parte do projeto de Deus. Mas a Bíblia também diz quanto ao sexo fora do casamento que este é um caminho só aqueles que querem se destruir entram por ele (Provérbios 6:32).

Por outro lado, o sexo é puro, é bom, é santo, foi criado por Deus, porque Deus criou o homem e a mulher sexuados, com desejo sexual, com capacidade de dar e receber prazer. Porém, este privilégio deve ser desfrutado no contexto sacrossanto do matrimônio, do casamento. Então, cabe ao marido atender também as necessidades físicas de sua mulher. E, no casamento, isto é absolutamente legítimo, puro e santo.

Com isso, estou afirmando que este amor que o marido se devota à sua mulher passa por esses três aspectos:

Primeiro, um amor romântico. “Quem ama a sua mulher a si mesmo se ama e dela cuida” (v.29). Esta palavra “cuidar”, só aparece outra vez na Bíblia, em 1 Tessalonicenses 2:7, onde a palavra é traduzida por acariciar. O marido cristão deve ser romântico, carinhoso, que abraça, que beija, que atende as necessidades emocionais da sua mulher.

Mas, em segundo lugar, esse amor é um amor demonstrado em gestos, em atitudes, é um amor sacrificial. Este homem sofre o esbarro para que sua esposa não sofra o esbarro. Ele sofre sofre o golpe para que ela não sofra o golpe. Se preciso for, ele morre pela sua mulher, dando a vida por ela para que ela viva. É um amor sacrificial.

Mas, em terceiro lugar, não é apenas um amor romântico e sacrificial; é um amor demonstrado também na área física, atendendo às necessidades da sua mulher, porque diante de Deus, ele é o responsável. A Bíblia diz assim: “O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher. Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência” (1 Coríntios 7:3-5 | ARA).

Portanto, esta deve ser a relação do homem com a sua mulher: amor romântico, amor sacrificial, amor de intimidade física.

Eu espero que estas breves considerações sobre o papel do marido possa ter ajudado você a compreender um pouco melhor o sublime ministério que Deus confiou a você como marido. Que você seja um marido segundo o coração de Deus.

Rev. Hernandes Dias Lopes

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