O casamento é a primeira instituição divina. Deus criou o homem, Deus criou a mulher, ambos à sua imagem e à sua semelhança. Deus mesmo concluiu: “Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gênesis 2:18).

A Bíblia diz que Deus fez o homem dormir e, da sua costela, faz uma mulher. Ele acorda do seu sono, olha para aquela miss universo e diz: “Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada” (Gênesis 2:23). E então começa o casamento.

Está escrito em Gênesis 2:24 assim: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” Portanto, o casamento instituído por Deus lá no Éden, é heterossexual, monogâmico e monossomático.

Agora, o apóstolo Paulo, escrevendo a sua carta aos Efésios, no capítulo 5, verso 22, vai tratar departamentalizadamente do papel de cada um na vida familiar e na vida conjugal. E ele começa falando do papel da mulher assim:

“As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido.” (Efésios 5:22-24)

A palavra em destaque aqui é a palavra “submissão”. Eu preciso concordar com John Mackay, diretor do Seminário de Princeton, nos Estados Unidos, quando diz que um dos principais hobbies do diabo é esvaziar o sentido das palavras cristãs. Porque, submissão hoje, é uma palavra que provoca urticária em muita gente. É preciso destacar que submissão é uma realidade espiritual destinada a todos nós, porque no próprio verso anterior está escrito assim: “sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo” (Efésios 5:21). Em quaisquer relações humanas, mormente, relações cristãs, existe submissão. Submeto-nos uns aos outros no temor de Cristo. Essa é uma questão de funcionalidade do Corpo.

Mas, vamos entender, em primeiro lugar, o que não é submissão. Primeiro, submissão não significa inferioridade. A mulher não é inferior ao homem em aspecto algum. Primeiro: ela é igual ao homem no que tange à criação, porque tanto o homem quanto a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus. O homem não é mais imagem e semelhança de Deus, nem a mulher é menos imagem e semelhança de Deus. Ambos são, igualmente, imagem e semelhança de Deus. Portanto, na criação não há distinção entre homem e mulher.

Segundo: não há distinção entre homem e mulher no que concerne à redenção. Tanto o homem quanto a mulher são salvos pela graça, mediante a fé em Cristo Jesus. Em Cristo não há nem homem, nem mulher, nem escravo, nem livre. Todos são pecadores e todos são salvos da mesma maneira pela fé em Cristo Jesus. Portanto, não há inferioridade no que tange à criação e à redenção.

Terceiro: a submissão não é de gênero. O sexo masculino não é superior ao sexo feminino, e nem o sexo feminino está em submissão ao sexo masculino. O texto diz: “As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido” (v.22), e não a outro homem qualquer. Portanto, não é submissão de gênero. Não há superioridade de gênero, nem inferioridade de gênero. Tanto o marido, quanto a mulher tem o mesmo valor aos olhos de Deus e precisam ter o mesmo valor aos olhos da sociedade.

Quarto lugar: a submissão quando diz que Cristo é o cabeça da igreja, não significa que o cabeça é maior. Paulo, quando está esclarecendo este assunto lá em 1Coríntios 11, ele vai dizer que Deus é o cabeça de Cristo, Cristo é o cabeça do homem, o homem é o cabeça da mulher. Existe alguma diferença de importância ou de atributos entre o Deus Pai e o Deus Filho? O Deus Pai é mais divindade do que o Deus Filho? E a resposta é um sonoro não. O Filho e o Pai são iguais.

É por isso que o Credo Niceno diz que Jesus é Deus de Deus, luz de luz, coigual, coeterno, consubstancial com o Pai, tem os mesmos atributos, é da mesma substância, realiza as mesmas obras que o Pai. Portanto, quando diz que Deus é o cabeça de Cristo, não quer dizer que o Deus Pai é mais importante ou superior ao Deus Filho. É uma questão de funcionalidade dentro da trindade. Assim também é na família.

Vale destacar que Jesus, como Cabeça, serviu. Ele não veio para ser servido, ele veio para servir. Portanto, quando a Bíblia diz que o homem é o cabeça da mulher — olhando para Cristo, que é o cabeça do homem —, o homem não tem direito de explorar sua mulher, de subjugá-la, pisoteá-la, ou de fazer dela um capacho. Não. Ao contrário: no Reino de Deus, a pirâmide está invertida: “quem quiser ser o maior, seja o servo de todos” (Marcos 9:35). Então, o papel desta mulher é compreender que, na funcionalidade da família, Deus colocou o homem como líder, como cabeça, mas cabeça que serve, que cuida, que não explora, mas se prontifica em abençoar.

Mas ainda, em último lugar, a submissão da mulher ao seu marido não é incondicional. Nenhum homem, a título de ser o cabeça do lar, tem autoridade divina para humilhar sua mulher, seja verbalmente, emocionalmente, moralmente ou fisicamente.

Em outras palavras, o texto nos informa que a mulher deve ser submissa ao seu próprio marido — e não a outro homem qualquer — como a igreja é submissa a Cristo. Existe um padrão que precisa ser seguido de tal maneira que, se o marido exigir da mulher uma submissão cega, incondicional, determinando a ela que faça algo que vá de encontro, na contramão, da sua consciência, ela não tem obrigação de obedecer ao seu marido.

Há muitos maridos que oprimem as suas mulheres, que as subjugam, que requerem delas práticas que não têm qualquer amparo na verdade, na justiça, nem no pudor. Estes maridos requerem que elas atendam aos seus desejos, caprichos e até às suas fantasias, contrariando a ética cristã ou o padrão estabelecido pelo próprio Deus.

Esta mulher não está obrigada a se sujeitar a esses ditames da opressão masculina. Portanto, Deus na sua Palavra não estabelece nem o machismo, nem o feminismo. Deus estabelece sim a liderança do marido que tem como exemplo o exemplo de Cristo. Deus estabelece a submissão da mulher ao seu marido, oferecendo o exemplo da submissão da igreja a Cristo.

Portanto, dentro da funcionalidade da família, conforme Deus a instituiu e a estabeleceu, é para que este casal possa ter uma vida maiúscula, superlativa, feliz, abundante, bem-aventurada.

Quando você vai a uma loja e compra um aparelho eletrônico, ou quaisquer outros utensílios domésticos, o manual do fabricante vem acompanhando este produto. Ele diz como você deve usar aquele aparelho. Se você não respeitar as leis, as normas, os preceitos do fabricante e usar aquele aparelho à revelia das normas estabelecidas para o seu funcionamento, esse aparelho vai queimar, colapsar e perder a sua utilidade, porque quem o fabricou estabeleceu regras para que ele funcionasse de maneira adequada.

Deus, como nosso Criador, nos deu o manual do fabricante. E o manual do fabricante é a Bíblia, a Palavra de Deus, a nossa única regra de fé e prática. Nenhuma mulher tem dificuldade de ser submissa a um marido que a ama como Cristo amou a igreja. E nenhum marido deve requerer da sua mulher uma submissão servil, mas uma submissão inteligente, a mesma que a igreja exerce em relação ao seu Senhor, Jesus Cristo, nosso Redentor.

Rev. Hernandes Dias Lopes

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