Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos!
A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor;
o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo!
O pardal encontrou casa,
e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes;
eu, os teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu!
Bem-aventurados os que habitam em tua casa;
louvam-te perpetuamente.
Bem-aventurado o homem cuja força está em ti,
em cujo coração se encontram os caminhos aplanados,
o qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial;
de bênçãos o cobre a primeira chuva.
Vão indo de força em força;
cada um deles aparece diante de Deus em Sião.
(Salmos 84:1-7)
Depois da pandemia da Covid-19, um fenômeno começa a acontecer na igreja, não só no Brasil, mas mundo afora. Muitas pessoas se acostumaram a ficar em casa. E, mesmo depois que terminou o lockdown, algumas pessoas disseram: “Não, eu não preciso mais da igreja. Eu posso ser crente na minha casa. Eu posso escutar o pregador que eu quiser, assentado em meu sofá, com a bacia de pipoca e um guaraná na mão. Aliás, eu posso escolher que pregador eu quero ouvir.” E muitas pessoas deixaram de frequentar a igreja.
Seria isso legítimo? Seria isso possível? Verdadeiramente eu posso ser um cristão sem igreja, sem congregar?
E a resposta é um sonoro “não”. “Quem tem Deus por pai, tem a igreja por mãe” — já dizia o reformador João Calvino. Todas as metáforas usadas para a igreja demandam a necessidade de congregar. Somos uma família; não podemos ficar longe uns dos outros. Somos um rebanho; uma ovelha desgarrada vira presa fácil do predador. Somos um corpo; se eu seccionar meu braço, ele morre. Cristo é a Vinha, a Videira Verdadeira; nós somos os ramos. Se você seccionar um ramo, ele morre.
Aqui está o salmista, no Salmo 84, demonstrando a sua saudade da casa de Deus. Ele diz: “Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos.” Um outro salmo diz: “Alegrei-me quando me disseram: “Vamos à casa do Senhor”” (Sl 122:1).
Que privilégio pertencermos à Igreja do Deus vivo! Que bênção é nos reunirmos no santo nome de Jesus! E a Bíblia diz: “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali eu estarei no meio deles” (Mt 18:20).
O salmista vai olhar para esse fenômeno e dizer: “O pardal encontrou casa e a andorinha ninho para si onde acolha os seus filhotes. Eu encontrei os teus altares, Senhor meu e Deus meu.” Este é um lugar de aconchego, de segurança, de comunhão, de aprendizado, onde você vai não para receber uma bênção, mas para ser uma bênção. Você não vai para sugar tudo, você vai para oferecer e dar. Você vai colocar a sua vida, dons e talentos que você recebeu de Deus para edificar o corpo de Cristo. Portanto, a casa de Deus deve ser desejada ardentemente.
Davi orou: “Uma coisa eu peço ao Senhor e a buscarei: que eu possa habitar na casa do Senhor por todos os dias da minha vida” (Sl 27:4). Que delícia é estar na presença de Deus, na casa de Deus, com os filhos de Deus, adorando a Deus.
O salmista prossegue e diz: “Muito felizes são os que habitam em tua casa; louvam-te perpetuamente.” Sabe o que significa isso? Você na vida enfrenta lutas, doenças, perseguição, injustiça, acusações levianas. Mas quando você está na casa de Deus, apesar das circunstâncias, você continua louvando a Deus, não porque a circunstância é favorável, mas porque Deus sustenta você em toda e qualquer circunstâncias.
E ele prossegue: “Bem-aventurado o homem cuja força está em ti”. Quando você busca a presença de Deus, na casa de Deus, com o povo de Deus, você está demonstrando que você é carente, que você é dependente, que a sua força não está em você mesmo, a sua força está em Deus. Se a sua força está em Deus, você é feliz, muito feliz.
O que que vai acontecer com você? O texto prossegue: “em cujo coração se encontram os caminhos aplanados; o qual passando pelo vale árido…”. Há uma diferença de topografia entre o coração e os pés. Os pés podem estar no vale, na depressão, mas no coração, o caminho está aplanado. Ou seja: você está passando por circunstâncias adversas, mas você está confiante, sereno, seguro, descansando no cuidado do Pai, firmado na providência bondosa da mão invisível de Deus. Coração no plano, ainda que com os pés no vale.
E ele prossegue: “o qual passando pelo vale árido, faz dele um manancial”. Agora, Deus não apenas serena os seus sentimentos, mas altera as suas circunstâncias. Deus transforma o vale num manancial; o vale seco num lugar de mananciais. Deus transforma choro em alegria, tormento em paz, doença em saúde, crise financeira em prosperidade, mágoas em perdão, escravidão em liberdade, algemas dos vícios em liberdade plena em Cristo Jesus.
Deus entra na sua história e muda o cenário. Ele altera o cronograma traçado para você. O vale da ameaça vai se tornar vale de bênção. Este é o Deus que opera em nós quando nos reunimos na casa de Deus, em comunhão uns com os outros, na adoração ao Deus vivo e verdadeiro.
Mas ele prossegue: “vão indo de força em força e cada um deles comparece diante de Deus em Sião”. A nossa vida foi comparada por tantos escritores com uma viagem. Tanto escritores seculares como escritores cristãos usaram esta metáfora. Estamos caminhando. Aqui atravessamos desertos tóridos, navegamos por águas tumultuadas e mares revoltos, passamos por pântanos lodacentos e pinguelas estreitas. Deus não infunde em você toda a força que você precisa de uma só vez. Você vai de força em força. Quando você acha que não consegue mais, que o seu tanque está vazio, que você está caminhando na reserva, Deus vem e injeta nova força e vamos indo de força em força. Ninguém vai ficar para trás, ninguém vai ficar prostrado. Todos chegaremos diante de Deus em Sião.
E ele prossegue e diz assim na sua oração: “Senhor dos exércitos, escuta minha oração. Presta ouvidos, ó Deus de Jacó. Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido, pois um dia nos teus átrios vale mais do que mil”. E ele prossegue: “Prefiro estar à porta da casa do meu Deus a permanecer nas tendas da perversidade”. Agora ele para para olhar o que é a casa de Deus e o que é a tenda da perversidade; o que é a igreja do Deus vivo e o que que é um boteco onde as pessoas se chafurdam no álcool e voltam para casa cobertos de vômito, com palavras duras nos lábios, ferindo o cônjuge, machucando os filhos.
Qual a diferença entre a casa de Deus e a tenda da perversidade? O salmista diz: “Um dia na tua casa vale mais do que mil dias na tenda da perversidade”. Lá as companhias não vão levar você para o bem, vão levá-lo para o mal. O que você vai fazer lá, trará vergonha para você. O que você vai viver lá irá lançar mancha na sua vida. Mas se você está na casa de Deus, que delícia é! Ali você encontra consolo, paz, a presença de Deus, o abraço do irmão, encorajamento, vida.
E ele prossegue e diz assim: “Porque o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dá graça e glória. Nenhum bem sonega aos que andam retamente”. Ele reconhece quem é Deus. Deus é protetor. Deus é fonte da vida. Ele é escudo. Ele é sol. Esse Deus dá graça quando você está fraco. Este Deus dá glória quando você caminha vitoriosamente. Este Deus escuta a oração e nenhum bem sonega aos que andam retamente.
E aqueles que amam a casa de Deus recebem o último verso do salmo: “Ó Senhor dos exércitos, feliz, muito feliz é o homem que em ti confia”. E eu pergunto a você: você ama a casa de Deus? Você assiduamente frequenta a casa de Deus? Você tem prazer em estar na casa de Deus? Você vai com o coração aberto para ouvir a voz de Deus? Você vai com os braços abertos para acolher os seus irmãos? Se você ama a casa de Deus, o texto está dizendo: “Você é feliz”, “você é muito feliz”.
Rev. Hernandes Dias Lopes
