“Seis coisas o Senhor aborrece,
e a sétima a sua alma abomina:
olhos altivos, língua mentirosa,
mãos que derramam sangue inocente,
coração que trama projetos iníquos,
pés que se apressam a correr para o mal,
testemunha falsa que profere mentiras
e o que semeia contendas entre irmãos.”

(Provérbios 6:16-19)

Pecado é a transgressão da lei de Deus. Pecado é um insulto à santidade de Deus. Pecado, na linguagem do apóstolo Paulo, é maligníssimo. É o pior de todos os males. Pior do que a doença, do que a solidão, do que a própria morte. Porque esses males todos não podem nos afastar de Deus, mas o pecado nos afasta, no tempo e na eternidade.

Quando Salomão estava escrevendo o livro de Provérbios, ele elenca seis pecados que a alma de Deus aborrece. Mas, o sétimo pecado, a alma de Deus abomina. Quais são esses pecados que entristecem e aborrecem o coração de Deus?

O primeiro pecado é o pecado do orgulho. Está escrito assim: “olhos altivos”. Sabe aquela pessoa que olha o outro de cima para baixo? De tamanco alto? Que se julga melhor do que os outros: mais inteligente, mais bonito, mais esperto? Sabe aquela pessoa que, na linguagem brasileira, tem o rei na barriga? Que despreza as outras pessoas, que se coloca acima das outras pessoas? Pois é, o orgulho é um pecado que Deus abomina.

A Bíblia diz que Deus rejeita a soberba, mas dá graça aos humildes (Tiago 4:6).

O segundo pecado que o Senhor aborrece é o pecado da mentira: “língua mentirosa”. Mentir é falsear a verdade. Mentir é enganar as pessoas com uma palavra. que não expressa a realidade dos fatos. Mentira é aumentar um fato para levar vantagem.

A mentira é um engodo, é um engano, é uma farsa. A mentira tem identidade, tem genealogia: o diabo é o pai da mentira. E a Bíblia diz que os mentirosos não herdarão o reino de Deus.

Há pessoas que têm o hábito de mentir, são contumazes na mentira, não são confiáveis. A palavra dessas pessoas não tem peso, credibilidade. A mentira destrói o caráter, arruína a reputação, solapa a virtude, destrói a vida. Deus abomina a mentira.

O terceiro pecado que Deus rejeita e abomina é o assassinato. Esá escrito: “mãos que derramam sangue inocente”. Gente que tira a vida do outro, não porque esse outro atentou contra ele, mas que o faz, mesmo o outro sendo inocente.

Nós vivemos nessa sociedade violenta, perversa que, por causa de algo tão banal (um tênis, um telefone celular), alguém é capaz de tirar a vida do outro. A vida está sendo banalizada. Deus abomina aquele que derrama sangue inocente.

A prática do assassinato, seja no na vida intrauterina, seja em quaisquer outras circunstâncias, é algo tão severo para Deus que, lá na antiga aliança, a pessoa era punida com a própria morte. Quem tirava a vida do outro pagava com a sua própria vida.

Há formas de matar hoje que não se resumem apenas a puxar o gatilho ou dar uma facada. Há outras formas de matar. 1João 3:15 diz que se você odeia o seu irmão, você é assassino; porque é do coração que procede os maus desígnios. O ódio vai desembocar, às vezes, na violência. E, ainda que esta pessoa não seja ferida e tombe na vala da morte, o coração que odeia deseja a morte. E Deus abomina isso.

Mas ainda, em quarto lugar, há o pecado da maldade. Veja você comigo: “coração que trama projetos iníquos”. Sabe a pessoa que maquina o mal? Hoje você vê isso todo dia e toda hora na internet. Pessoas que ligam para você para passar perna em você, para enganar você, para fazer com que você caia no alçapão do engano.

Pessoas que vivem nas prisões — ou fora delas — ou, talvez, nas mais altas rodas da sociedade. Pessoas nas cortes, nos palácios, nos parlamentos, maquinando, tramando, urdindo meios, formas de saquear, de roubar, de se corromper, de alcançar a riqueza ilícita e fácil, mesmo que outras pessoas, às vezes, sejam prejudicadas, como acontece hoje nesta CPMI do INSS. Gente roubando os velhinhos, pessoas inválidas, pessoas vulneráveis, tirando o pão da boca do faminto, tirando o remédio da pessoa doente para se locupletarem, tramando, urdindo, maquinando no coração projetos maus para tirar o direito do outro, para roubar o que é do outro. A Bíblia diz que Deus abomina isso.

Essas pessoas podem escapar das mãos da justiça humana, porque ela está corrompida também, mas jamais escaparão da justiça divina. O que o homem semear, isso ele ceifará.

Mas ainda, há a violência. Olha o que está escrito: “pés que se apressam a correr para o mal”. Veja você que a pessoa não apenas corre para o mal, ela se apressa para fazer o mal. Essa pessoa é violenta, ela não tem nenhum peijo, nenhuma vergonha, nenhum constrangimento de fazer o mal contra o seu próximo.

Ela urde planos e se apressa para botar esses planos em ação. E Deus abomina isso. Você precisa nutrir no seu coração sentimentos nobres, amar o seu próximo como você ama a você mesmo. E a Bíblia chega a dizer que você não deve amar apenas quem ama você; você deve amar até os seus inimigos: “Se ele tiver fome, dá-lhe de comer. Se tiver sede, dá-lhe de beber” (Romanos 12:20). Você paga o mal com o bem; você vence o mal com golpes de bondade e não de violência.

Que os seus pés se apressem para fazer o bem. Que os seus pés se apressem para ser um ministro da reconciliação. Que os seus pés se apressem para espalhar as boas novas de salvação e não ser um agente de morte e de violência.

Mas, em sexto lugar, Deus aborrece e abomina o perjúrio. Olha o que está escrito: “testemunha falsa que profere mentiras”. Gente que conhece a verdade, mas que sonega a verdade, oculta a verdade e faz denúncia falsa ou por pressão, covardia, ou vantagens financeiras.

O pecado condenado aqui é o pecado que acontece nas cortes, onde a pessoa é chamada como testemunha e, chegado lá, diz que viu o que não viu, que não viu o que viu e acaba prejudicando a pessoa inocente, ou por pressão da corte, ou por sedução financeira.

Testemunhas falsas, perjúrio. Deus abomina isso.

Mas o sétimo pecado que o texto diz: “seis coisas o Senhor aborrece e a sétima sua alma abomina”, de todos esses pecados — orgulho, mentira, assassinato, maldade, violência e perjúrio —, este pecado é o que mais Deus abomina. E que pecado é esse?

Está escrito: “o que semeia contenda entre irmãos”. Sabe aquela pessoa que fica atiçando, leva e traz, promove discórdia, espalha boatarias, denigre a imagem, assassina reputações, que joga um irmão contra o outro, que quer ver o circo pegar fogo, que não tem zelo pelo pelo nome do outro, pela honra do outro, pela pela vida do outro. Deus abomina isso.

Numa linguagem bem brasileira, esse é o fofoqueiro. Numa linguagem mais eletrônica, esse é o espalhador de fake news. Este é o que, antes verificar se um fato é verdadeiro, já espalha uma notícia ruim sobre a pessoa e denigre a sua imagem. Solta-se um saco de penas numa montanha e não se recolhe todas mais.

O pecado é maligníssimo. Então, está na hora de você e eu nos arrependermos dos nossos pecados, clamarmos pelo perdão de Deus e mudarmos a nossa conduta.

Rev. Hernandes Dias Lopes

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