“Sobre os teus muros, ó Jerusalém, pus guardas, que todo o dia e toda a noite jamais se calarão; vós, os que fareis lembrado o Senhor, não descanseis, nem deis a ele descanso até que restabeleça Jerusalém e a ponha por objeto de louvor na terra.” (Isaías 62:6,7)
O avivamento é uma obra sobrenatural e soberana do Espírito Santo de Deus, trazendo alento de vida a uma igreja apática e morna. O avivamento não é uma obra humana. O homem não pode produzir o avivamento. Ele pode buscá-lo e preparar o caminho do Senhor, mas é uma obra exclusiva de Deus.
Agora, esta obra divina precisa de preparação. E aí entra a nossa participação. Então, eu quero conversar com você sobre a oração, que é a chave do avivamento. E o texto que nós lemos nos ensina alguns princípios desta oração, que é a chave do avivamento. E, o primeiro deles, é a vigilância.
Veja comigo o que tá escrito: “Sobre os teus muros, ó Jerusalém, pus guardas”. E aqui está a ideia das cidades antigas que eram amuralhadas. E, em cima das das muralhas, existiam torres. Ali ficavam os sentinelas, os vigias, atentos a qualquer perigo que se aproximava ou a qualquer ajuda que procedia. O guarda não podia ficar descuidado, ele precisava vigiar.
A nossa vida de oração precisa ser assim. Não podemos ter descuido, não podemos cochilar. Não podemos ficar fazendo vistas grossas a ponto do inimigo chegar e atacar sem acendermos o alarme ou tocarmos a trombeta, avisando do perigo. A oração requer vigilância. Foi por isso que Jesus disse para os seus discípulos no Getsêmani: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26:41). Então, vigie e ore. Ore e vigie.
Segundo princípio, seguindo a leitura do verso 6, é a perseverança na oração. Está escrito que todo dia e toda noite, jamais se calarão. Paulo diz que devemos orar sem cessar (1 Ts 5:17). Jesus falou de não esmorecermos, mas de perseverarmos na vida de oração. É de dia e é de noite. Ou seja, constantemente, perseverantemente. Porque, aquele que ora e dorme, ora e não vigia, ora e não está atento, vai fraquejar.
Se você perceber, o Pentecostes acontece exatamente em obediência a esse princípio. Jesus disse pros seus discípulos: “Permanecei na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24:49). E aí, a Bíblia diz que eles foram para o cenáculo. Todos estavam reunidos e todos perseveraram unânimes em oração durante 10 dias, até que o Espírito Santo foi derramado.
Se nós quisermos experimentar avivamento hoje, precisamos perseverar na oração.
Mas há um terceiro princípio para o qual eu chamo a sua atenção, que é o princípio da expectativa. E está escrito assim: “Vós os que fareis lembrado o Senhor”. Aqui está algo interessante, porque Deus não se esquece. Deus não precisa que alguém reavive a sua memória. O que ele está querendo dizer é o seguinte: Deus tem promessas na sua palavra. E, a oração eficaz é a oração que é feita com base nas promessas de Deus. Quando você chega para Deus com base nas Escrituras e diz: “Senhor, o Senhor prometeu, está escrito na tua Palavra. Eu estou suplicando algo que tu mesmo já prometeste em tua palavra”. Então, orar eficazmente é trazer à sua memória e proclamar diante de Deus aquilo que o próprio Deus já prometeu em sua palavra, porque ele tem zelo pela sua palavra em a cumprir. Ele é o avalista da sua própria palavra. Em todas as suas promessas, nós temos o sim e nós temos o amém. Então, orar é orar lembrando a Deus as próprias promessas de Deus. registradas em sua palavra.
Mas em quarto lugar, o verso 6 diz: “Vós, os que fareis lembrado o Senhor, não descanseis”. Esta oração é uma oração infatigável. E eu posso até lhe dizer que não tem nada mais árduo, difícil, penoso para a nossa carne do que orar.
É por isso que os discípulos de Jesus dormiram no Monte da Transfiguração, num ambiente de glória, e dormiram no Getsêmani, um ambiente de dor.
Às vezes nós temos dificuldade de orar porque não esticamos os músculos da nossa alma ao extremo. A ordem divina é: “Não descanseis”. Ore um pouco mais, jejue um pouco mais, bata um pouco mais à porta da graça, porque a Bíblia diz: “Todo que pede recebe, todo que busca encontra, todo que bate abrir-se-lhe-á” (Mt 7:8). É preciso insistir, é preciso perseverar. Não se pode arriar as armas, não se pode desistir no meio do caminho. É preciso continuar orando, orando e orando até que os céus se abram, até que as torrentes desçam, até que o sopro do Espírito venha, até que a igreja seja despertada e reavivada.
Mas existe mais um princípio no versículo 7. Agora diz assim: “Nem deis a Deus descanso.” Essa oração importuna — ele está usando uma linguagem humana, com certeza, porque Deus não pode ficar importunado. Ele é o soberano Senhor. Porém, você deve chegar para Deus dizendo: “Deus, eu estou aqui. Deus, eu quero avivamento.” E você voltar: “Senhor Deus, tu prometeste. Meu Deus, olha para mim. Senhor, atenda o meu clamor.” Persevere!
Tem gente que diz: “Não, mas eu não preciso ficar repetindo para Deus.” “Falou uma vez, não precisa orar mais, já falou.” Não! É Deus quem tá dizendo não só para você não descansar, mas para você não dar a Deus descanso. Continue surrando a porta da graça. Continue clamando ao Altíssimo. Continue bombardeando os céus com as suas orações. Continue clamando aos ouvidos generosos do Deus Todo-Poderoso. Persevere na oração. Insista com Deus. Clame ao Senhor. Faça como Jacó: agarre-se ao Senhor e diga: “Eu não te deixarei ir se tu não me abençoares”.
Mas há um outro princípio. Veja você o verso 7 que diz assim: “Nem deis a ele descanso até que restabeleça Jerusalém e a ponha por objeto de louvor na terra”. Em outras palavras, esta oração é objetiva. O que ele quer? Ele quer que Deus restabeleça Jerusalém que foi atacada, destruída e incendiada pelos caldeus. Ele quer restauração. Onde tinha cinza, agora tem vida. Onde tinha um vale de ossos secos, agora tem um exército.
Nós precisamos nos aproximar de Deus e orar com objetividade. O que que você quer? Qual o seu desejo? Qual o motivo da sua da sua súplica? Não seja genérico, seja específico. Então, se é cura, ore por cura. Se é por salvação, ore por salvação. Se é por restauração do seu casamento, ore por restauração do seu casamento. Se é para que Deus lhe oriente no namoro para tomar a decisão certa no casamento, ore especificamente por isso. Se é pela sua vida vocacional, peça a Deus especificamente por isso. Se é por alguma coisa objetiva, materialmente falando, especifique o que que você quer. Fale para Deus.
Aqui no caso, o pedido é por restauração de Jerusalém, é por um reavivamento na obra de Deus, é por um sopro de vida, um alento de vida sobre o povo de Deus.
E o texto, então, vai nos ensinar uma expressão magnífica: “até que”. Esse “até que” é importante. Jesus o repete lá em Lucas 24:49: “Permanecei na cidade até que sejais revestidos de poder.”
Não desista. Não ensarilhe as armas. Não recue. Ore. Persevere na oração até que a restauração de Deus chegue sobre a sua vida, sobre a sua família, sobre a sua igreja, sobre a nossa nação.
Rev. Hernandes Dias Lopes
