A pedagogia do sofrimento

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sofrimentoO apóstolo, Paulo o grande bandeirante do cristianismo, na sua carta aos Romanos, que é o ponto mais alto da sua expressão doutrinária e teológica, ensinou, sobretudo, sobre a justificação pela fé. Depois de tratar desse assunto no capítulo 5 versos 1 e 2, falando que, com relação ao passado, nós temos paz com Deus, com relação ao presente, nós temos acesso à graça, e com relação ao futuro, nós temos expectativa da glória, agora ele vai linkar a questão da justificação com a vida presente. E Paulo vai mostrar para nós que o fato de você ser justificado pela fé, o fato de você ser salvo pela graça, o fato de você ter Jesus Cristo como Senhor da sua vida, o fato de você ter seu nome inscrito no livro da vida e ter em você o selo do Espírito Santo, isso dá a você a bênção e a capacitação para lidar com o sofrimento de forma vitoriosa. E ele diz assim: não apenas isto, mas nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produzirá perseverança, a perseverança experiência, e a experiência esperança, e a esperança não se confunde, porque o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo.

Qualquer pessoa que ler esse texto, sem os óculos da fé, vai ficar sem compreender; o que Paulo está falando; dá impressão que Paulo está dizendo que ser cristão é ser masoquista. Como assim, você se gloriar nas tribulações? Como você ficar feliz diante do sofrimento? A palavra tribulação significa um peso que achata, que esmaga, que oprime você. É claro que o cristianismo não subscreve a filosofia do masoquismo, é claro que um cristão não tem prazer no sofrimento, é claro que nenhum de nós celebra a dor, é claro que nenhum de nós aplaude as tragédias da vida e fica feliz quando é esmagado pelo peso das circunstâncias adversas. Mas então, por que é que o apóstolo Paulo diz que nós nos gloriamos nas próprias tribulações? Não é por causa da tribulação em si, mas por aquilo que ela produz, pelo seu efeito pedagógico, nós aprendemos mais no vale da dor, do que nos montes mais altos da celebração da alegria; há mais ensinamento para a nossa alma na casa do luto do que no salão de festa; as lágrimas que ungem os nossos olhos e correm pela nossa face nos ensina mais do que as gargalhadas mais ruidosas. É no vale da dor, é no aperto do sofrimento, que a nossa alma é amolecida e moldada pela graça de Deus para termos a semelhança de Cristo, que aprendeu nas coisas que sofreu.

Paulo diz que as tribulações produzem perseverança; essa palavra perseverança traz a ideia de paciência triunfadora. É aquela capacidade especial, dada por Deus, para lidar com situações difíceis e adversas sem perder a calma, sem perder o controle, sabendo que Deus não desperdiça sofrimento na vida de seus filhos. Se você está passando por um vale de dor, se você está sendo chicoteados pelo látego do sofrimento, entenda isso: Deus está trabalhando em você, Deus está moldando você, para que você seja parecido com Jesus Cristo, Deus está esculpindo em você a beleza do seu Filho, dando a você então a capacidade de suportar essas dores, entendendo que Deus está trabalhando não contra você, mas por você, em você, para depois trabalhar através de você.

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Paulo prossegue no seu raciocínio e diz que a perseverança produz experiência; e essa palavra experiência, era aquela palavra usada, por exemplo, pelos ourives, que jogavam metal no fogo e o fogo queimava as escórias e depurava o metal; eu quero dizer pra você que quando Deus permite um sofrimento na sua vida não é para destruir você, é pra fortalecer as musculaturas da sua alma, não é para destruir aquilo que de valor você tem, gerado pela graça de Deus, mas é para queimar as escórias e deixar o metal puro, limpo e valoroso. Deus não quer que você tenha apenas uma experiência de segunda mão, Deus quer que você tenha a sua própria experiência com ele, para que você conheça a Deus não como Jacó antes do vau de Jaboque, apenas como Deus do seu avô e o Deus do seu pai, mas pra que Jacó pudesse agora conhecer o Deus da sua vida. Deus quer que você tenha uma experiência pessoal com ele, que você experimente o poder dele, a graça dele mudando seu ser, mudando, moldando você à imagem de Jesus.

E Paulo conclui dizendo que a experiência produz esperança; essa esperança não é uma esperança vaga, mas segura, certa, convicção absoluta e inabalável, e essa esperança, Paulo diz, ela não se confunde porque o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. Você, quando conhece a Deus, tem a certeza de que Deus está trabalhando por você, de que todas as coisas cooperam para o seu bem, de que os vales da sua vida vão ser transformados em mananciais, que o choro amargo vai se transformar em alegria perene, que as noites escuras da alma vão se transformar no amanhecer mais cheio de luz da sua vida, a pedagogia do sofrimento ensina você e a mim, que na hora da dor, Deus está do nosso lado, Deus está nos sustentando, Deus está nos consolando, Deus está nos transformando à imagem do seu próprio Filho.

“E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança, a perseverança produz experiência e a experiência produz esperança. Ora, a esperança não nos deixa decepcionados, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi dado” Romanos 5.3-5

Rev. Hernandes Dias Lopes

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